Eu já tive um coração, ele costumava bater dentro do peito, ao dormir, eu me aquietava e podia sentir o pulsar, poderia até senti-lo em meus pés de tão forte que era.
Até que eu me senti confortável o suficiente para confiá-lo a uma pessoa e a partir daí, pude experimentar de um sentimento diferente que causava uma queimação em meu coração, uma queimação boa, que me tirava suspiros.
Ele estava seguro, confortável e eu tranquila, até que esse homem foi se afastando, afastando, até que eu não pudesse mais ouvir sua voz e com ele estava meu coração, fraco, longe de meu corpo, onde ficou um vazio gelado, tão gelado que chegava a dar calafrio em meu corpo inteiro e junto com meu pequeno e sensível coração, foi-se todo meu sentimento bom, toda a minha confiança, todo meu afeto.
Numa noite qualquer, eu de frente com o culpado de meu vazio e eu não pude sentir junto dele, a presença de uma parte de mim, ele havia dado meu coração à outra pessoa, pois ele já não tinha mais um coração e precisava do meu para ser acolhido. Agora somos mais dois corpos vazios no mundo, perambulando feito almas penadas, condenada ao frio e escuridão.
Eu só espero que esteja onde estiver, meu coração esteja seguro e confortável.
Pois se ele ainda me pertencesse, provavelmente eu teria a chance de escolher uma pessoa para doá-lo.
Fernanda Evangelista

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